O ano de 2020 será carregado de eventos esportivos no Brasil. Todos eles, estarão disputando os recursos de patrocínio de múltiplas empresas que consideram o esporte uma ferramenta fundamental, ou pelo menos útil, dentro dos seus planejamentos e investimentos de marketing. Os investimentos se apresentarão, tanto com verba de marketing como com os recursos captados através das leis de incentivo ao esporte municipal, estadual e federal.

A seguir uma lista de alguns dos principais eventos que serão sediados no Brasil em 2020:

GP de Interlagos
WSL – Oi Rio Pro
NBB
Ligas das Nações – FIVB
Parapanamericanos Masters 2020
Rio Open
Ironman
L’Etape
Rally dos Sertões
Oi STU Open

Porém, dentre os grandes eventos que acontecerão o que mais destaca, sem dúvida, será Tóquio 2020. Um evento que conta com Patrocinadores Globais (Worldwide Olympic Partners) como Coca-Cola, Alibaba Group, Atos, Bridgestone, Dow, GE, Intel, Omega, Panasonic, P&G, Samsung, Toyota e Visa que pagam aproximadamente USD$100 milhões* por ciclo olímpico, para aproveitar a plataforma do maior evento esportivo do planeta para se conectar com os seus clientes/consumidores.

Além desses, os jogos olímpícos no Japão contam com outros patrocinadores locais chamados de Parceiros Ouro (15), Parceiros Oficiais (32) e Apoiadores Oficiais (15) através dos quais, Tóquio 2020 tem arrecadado mais de USD$3,1 bilhões. Para se ter uma referência, em Rio 2016 o total arrecadado foi de R$3,1 bilhões** o que no valor do dólar da época, equivalia a USD$1,01 bilhões, chegando perto do arrecadado por Londres 2012 que foi USD$1,1 bilhões.

O que é claro com isso, é que usualmente são os eventos maiores os que levam a grande fatia dos patrocínios, deixando os eventos menores em um cenário de ação limitada para a captação.
Porém, com uma indústria esportiva que evolui a cada dia, que cada vez é mais profissionalizada, com avanços tecnológicos e outras ferramentas que permitem abordar os consumidores/clientes de outras maneiras, esses eventos menores tem oportunidades das quais não tinham anteriormente.

Um desses grandes avanços, são as plataformas/soluções OTT (Over The Top) tanto para TV como para streaming. Os melhores e mais conhecidos exemplos de empresas que prestam esses serviços são a Netflix e Hulu.

Focando no mercado esportivo brasileiro, são Esporte Interativo, Facebook, Twitter, Youtube e mais recentemente DAZN que estão liderando e se posicionando no mercado local como opções adicionais para os eventos. Por enquanto, a briga se foca nos grandes eventos, mas no Brasil já temos casos como o do NBB que fechou acordos com Twitter e Facebook em 2018 e mais recentemente DAZN, entendendo as vantagens que existe em oferecer um conteúdo personalizado e com valor agregado em diversas plataformas, incluindo as digitais para seus seguidores e potencial público alvo.

Dessa forma, se abrem oportunidades para os eventos e propriedades esportivas menores em oferecer novas possibilidades aos potenciais patrocinadores. Trabalhando com boa qualidade e com conteúdo relevante, poderão se apresentar de maneira mais atrativa para as empresas tendo um produto que entregue maior valor agregado para eles, conseguindo trazer mais recursos, para assim poder investir mais nas propriedades e gerar crescimento e melhor posicionamento para os mesmos.

Como fala a SportsPro na sua materia “Scaling new heights: The Genius idea to take OTT to all levels of sport (Escalando novas alturas: A ideia Genius de levar OTT à todos os níveis do esporte”. (Veja a matéria completa em inglês nesse link aqui, http://www.sportspromedia.com/from-the-magazine/ott-streaming-genius-sports-geniuslive-oppia-fiba).

“A pirâmide mundial à qual pertencem as propriedades esportivas é uma estrutura complexa. No topo, as ligas mais proeminentes são apresentadas com a escolha das emissoras mais populares, das quais as mais ricas e bem estabelecidas podem arcar com direitos de transmissão premium em volume e por múltiplos anos.

No meio, algumas competições esportivas estão ganhando mais força, fechando acordos de distribuição com emissoras grandes em bolsos menores em um mercado mais abrangente.

Enquanto isso, a distribuição de conteúdo independente e over-the-top (OTT) se há apresentado como uma alternativa mais acessível para competições de nicho para que suas vozes sejam ouvidas em uma escala mais ampla.”

O cenário no Brasil não é muito diferente do que o evidenciado anteriormente. As plataformas/soluções OTT estão chegando para ficar e revolucionar o mercado. Esclarecendo que, não é o único fator que condiciona a captação de patrocínio, e sim um elemento importante a mais para se considerar.

Em mercados como nos EUA e na Europa talvez o avanço seja maior com soluções que apresentam baixo custo, porém a tendência é que seja assim no mundo inteiro. Cabe nesse momento aos organizadores de eventos, clubes e federações menores (entre outros) no Brasil decidirem se vão morrer na praia procurando patrocínios com mais do mesmo ou se vão subir na onda das plataformas/soluções OTT para assim poder gerar conteúdo de qualidade, personalizado e de valor agregado com o objetivo de visibilizar e dar mais força para os seus esforços.

*Fonte: Reuters – Karolos Grohmann, 25 julho de 2019.
*Fonte: Valor Económico – Suzana Liskauskas, 29 de julho de 2016.